15/05/2026

Especialista na área da longevidade e combate ao idadismo, dr. Egídio Lima Dórea, abriu a programação de saúde da Semana S do Comércio, em Curitiba, com a palestra "Envelhecimento populacional e cuidado integral: uma visão multidisciplinar para um Brasil que envelhece".
Professor de Medicina da Universidade São Caetano do Sul, Egídio Lima Dórea, também coordena a Universidade Aberta à Terceira Idade da USP (USP 60+) e o programa USP Rumo ao Envelhecimento Ativo. É membro da Comissão de Direitos Humanos da USP, diretor da Ativen e autor de obras voltadas à longevidade.
Com um público diverso e intergeracional, a palestra ocorreu na Arena do Conhecimento e abordou temas como a transformação demográfica do Brasil, envelhecimento saudável, cuidado integrado, idadismo e envelhecimento pleno. Para o especialista é necessário colocar em prática hábitos saudáveis desde cedo, pois impactarão diretamente no envelhecimento.
"A gente deixa de entender o envelhecimento como algo que começa acontecer aos 60 anos, ou como algo que começa a partir da nossa fase final de reprodução. Nós passamos a reconhecê-lo como um processo contínuo. A forma como eu fui gerado, por exemplo, se minha mãe bebeu ou fumou durante minha gestação, vai gerar um impacto na forma como eu envelheço. Somente 30% do envelhecimento, estudos recentes apontam para 50%, é determinado geneticamente, o restante depende das nossas escolhas".
Outro ponto abordado foi o aumento da expectativa de vida. Segundo o especialista, nos dois últimos séculos ela aumentou cerca de 30 anos. "Essa é uma grande conquista no nível médico, científico e social, no entanto é necessário pensar a qualidade desse envelhecimento populacional", afirmou.
Entre as dificuldades na maturidade plena e ativa, Dórea cita o aumento das doenças epidemiológicas e crônicas, além de desigualdades sociais e de gênero, que fazem com que as mulheres sejam mais afetadas. "É necessário diminuir essa diferença que existe entre a expectativa de vida e a expectativa de vida saudável. É muito importante viver muito, porém mais importante é viver com vida, com qualidade e com saúde".
Para finalizar, o especialista abordou a importância da inclusão em todos os âmbitos da sociedade e urgência no combate ao idadismo e a discriminação contra a pessoa idosa. Entre os pontos abordados está a segurança financeira e a necessidade das empresas se adaptarem e tornarem ambiente do trabalho inclusivo e intergeracional.
Autor: Joana Tapea
Fonte: ACM