15/12/2022
Ao andar pelo calçadão da Rua XV, em Curitiba, e nos
calçadões das principais cidades paranaenses é possível observar os desenhos compostos
em pedras pretas e brancas, o famoso petit-pavé. Essa forma de calçamento tem
inspiração no Império Romano e se popularizou na Europa com os portugueses, que
também inspiraram as calçadas brasileiras. Ao contrário do que muita gente
pensa, as icônicas ondas do mar no Calçadão de Copacabana não foram o primeiro
calçamento a utilizar a técnica dos mosaicos de pedra. Tudo indica que a
primeira calçada brasileira em petit-pavé circunda o Teatro Amazonas, em
Manaus, feita em 1900, auge do ciclo da borracha, que trazia também as
tendências europeias para o Brasil.
A construção desse tipo de pavimento requer muita técnica e quem a constrói é o calceteiro. Mestres calceteiros trabalham há quase cem anos colocando petit-pavé nas calçadas do Paraná. E novos profissionais neste ofício vem sendo formados pelo Senac Paraná, por meio de um convênio com a Fundação de Ação Social de Curitiba (FAS). Nesta quarta-feira (14/12) foi concluída a primeira de dez turmas de Calcetaria - Petit-pavé, direcionadas a homens em situação de rua ou desempregados que são acolhidos pela FAS. O curso foi especialmente implantado para atender essa população. Esta foi a primeira vez que o programa Liceu de Ofícios, que há quase 30 anos oferta gratuitamente qualificação profissional para os curitibanos, desenvolve esse curso que ensina a arte milenar de se construir calçadas de pedras.
As aulas aconteceram no Liceu de Ofícios da Construção,
especialmente implantado para o curso, na Praça Solidariedade, Rebouças, onde a
Prefeitura mantém um complexo de atendimento a pessoas em situação de rua.
Afastado do trabalho de serviços gerais por causa de um
acidente, Orley Dorigo, 58 anos, tem aproveitado para se qualificar. Enquanto
recupera os movimentos do braço, esse foi o oitavo curso que fez esse ano. "Eu
gostei muito desse curso. Foi um aperfeiçoamento, eu não tinha nem noção do que
que era calcetaria, para mim era tudo na mesma coisa, e hoje eu já sei que tem
uma diferença enorme entre calçada e petit-pavé", relata.
Com carga horária de 39 horas, o curso aborda desde o
histórico do petit-pavé, a importância da profissão de calceteiro, criação dos
desenhos, Materiais e ferramentas adequados para a execução do trabalho,
nivelação do terreno, estuque, técnicas de colocação, caimento, porcentagem
para escoamento de água, alinhamentos de desenhos e acabamento e caldeamento e
limpeza.
Os alunos foram orientados pelos instrutores do Senac Fabio
Rodrigo Malikoski de Souza, que é arquiteto e tem doutorado em conservação e
restauro, e Valmir Gomes, mestre calceteiro.
"Um dos objetivos principais do curso é que eles dominassem a
técnica, conhecessem o histórico, os principais materiais envolvidos e a
tradição dessa técnica tão antiga que representa a identidade do povo
curitibano e do povo brasileiro de um modo geral", conta o instrutor Malikoski
de Souza.
A presidente da FAS, Maria Alice Erthal, se reuniu com o
grupo, durante o encerramento do curso, e falou da necessidade dessa mão de
obra no mercado de trabalho. "Esse curso sempre foi um sonho nosso, porque nós
sabemos que em Curitiba precisamos desse dessa mão de obra e há falta pessoal
especializado. Então, graças a essa parceria que temos com o Senac muitas
pessoas estão encontrando seu caminho no mercado de trabalho, nos vários cursos
que temos feitos em conjunto", reitera.
O convênio do Senac Curitiba com a Fundação de Ação Social de
Curitiba (FAS), por meio de atendimento corporativo, capacitou quase 200
pessoas em 2022.
Autor: Karla Santin
Fonte: Núcleo de Comunicação e Marketing - NCM