22/11/2022
A Faculdade Senac Curitiba Portão promoveu uma importante reflexão na noite desta segunda-feira (21/11) para os alunos de todos os cursos de graduação tecnológica do Senac sobre a tecnologia no âmbito da raça e etnia. Os autores do documentário "Eu [Não] Sou de Computação", Ecivaldo Matos, Mel Nascimento e Juliana Oliveira, vieram especialmente da Bahia para o encontro, que aconteceu presencialmente para os alunos do curso de Tecnologia de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e transmitido de forma on-line para os estudantes e docentes das demais faculdades Senac.
A ação está relacionada ao Dia da Consciência Negra e à 19ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), coordenada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI).
As discussões sobre diversidade e participação de grupos socialmente invisibilizados tem sido uma crescente na área de computação. O documentário traz relatos de estudantes e professores sobre seus processos de entrada, permanência e sucesso pessoas negras na área. O projeto foi desenvolvido pelo núcleo Negros e Negras na Computação (NNC), parte do Grupo de Pesquisa em Informática, Educação e Sociedade - Onda Digital, do Instituto de Computação da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
De acordo com os autores, o vídeo aborda questões imprescindíveis sobre quem projeta, constrói e utiliza as tecnologias desenvolvidas pela área de informática, além de aprofundar as reflexões sobre como estes trazem influência para nossa cultura e sociedade, em especial no tocante às discussões de raça e etnia.
Estes pontos são articulados com profundidade pelas pesquisas do grupo, sob orientação do professor do Instituto de Computação da UFBA e Doutor em Educação, Ecivaldo Matos, que desenvolve estudos para estabelecer uma agenda de pesquisa sobre a presença, atuação e permanência de negros e negras na área de computação. Fazem parte da equipe de idealização, roteiro e produção do documentário Mel Nascimento e Juliana Oliveira, também integrantes do grupo de pesquisa.
Antes da exibição do documentário aos estudantes, Ecivaldo trouxe um importante ponto de vista: "Ontem, 20 de novembro, foi o Dia da Consciência Negra, mas não temos feito ações pontuais nesse período, justamente porque a consciência negra é intrínseca às pessoas negras, mas também extrapola, e não pode ser apenas um momento de reflexão. Nosso documentário fala sobre isso, sobre racismo, sobre sexismo, sobre discriminação, sobre opressão", ressaltou o professor convidado.
O encontro foi mediado pelo professor da Faculdade Senac Curitiba Portão, Leander Cordeiro de Oliveira, que agradeceu aos pesquisadores baianos por se propuserem a vir para Curitiba participar do debate. "Esse documentário traz uma reflexão muito rica para nossos estudantes, pois trata de questões importantes que permeiam a área de computação. Ficamos muito felizes pelos professores e pesquisadores da Bahia terem ido além do nosso convite de falar com nossos alunos e vieram até aqui, enriquecendo esse momento", reiterou.
Após a exibição do documentário, houve uma sessão de perguntas, que possibilitou ampla interação entre os estudantes do Senac e os pesquisadores do projeto Negras e Negros na Computação (NNC UFBA).
Os pesquisadores convidados,
professor Ecivaldo Matos, Juliana Oliveira e Mel Nascimento
Estatísticas
Segundo a plataforma PretaLab, iniciativa pela inclusão de mais mulheres negras na cena brasileira de inovação, as pessoas brancas ainda são mais da metade dos atuantes na área de tecnologia do país, ocupando 58,3% dos cargos, enquanto as pessoas negras correspondem a 36,9% e a população de amarelos e indígenas são 4%. Entretanto, em 32,7% dos casos não há nenhuma pessoa negra nas equipes de trabalho em tecnologia. Em 68,5%, pessoas negras representam um máximo de 10% nas equipes de trabalho em tecnologia.
Outro indicador que revela uma realidade que ainda precisa alterada no universo de tecnologia da informação: as mulheres correspondem a apenas 35,1% dos profissionais da área. Em 64,9% dos casos, as mulheres representam no máximo 20% das equipes de trabalho em TI.
Em pouco mais de uma hora, o documentário "Eu [Não] Sou de Computação" traz sete histórias marcantes de negras e negros, que relatam suas vivências e apontam caminhos possíveis para lutar contra o racismo estrutural cotidiano, tecendo uma reflexão necessária e urgente de possibilidades para o futuro de jovens negras e negros.
"Vocês devem estar se perguntando: porque nós saímos de Salvador na Semana da Consciência Negra para vir a Curitiba. Mas a gente quis muito estar aqui com vocês, pois esse momento é muito importante. Mais importante do que a consciência negra, é estar consciente do que as pessoas com marcadores sociais passam diariamente. O que estamos contando aqui não é nenhuma história inventada, é tudo muito real, é tudo muito cru e a gente vivencia isso como os nossos convidados do documentário e nós próprios", disse Mel Nascimento, mestranda do Programa de Pós-Graduação em História pela UFBA e bacharela em Estudos de Gênero e Diversidade pela Universidade Federal da Bahia.
Documentário
O documentário "Eu [Não] Sou de Computação" está disponível no site: http://eunaosoudecomputacao.com/.
Autor: Karla Santin
Fonte: Núcleo de Comunicação e Marketing - NCM